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Projetos

Transformando dor em luta

Veículo: A tarde - 10/12/2006
Editoria: Caderno Especial Exploração Sexual Infanto-juvenil
Assunto: Exploração sexual
"É preciso vontade política para mudar o quadro"

Entrevista Waldemar Oliveira

Waldemar Oliveira é advogado e coordenador executivo do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (CEDECA), criado em 1991 para atuar no enfrentamento de casos violentos praticados contra menores de 18 anos.

A TARDE | Quais são as dificuldades encontradas para atender vítimas de exploração sexual comercial?
WO | O número de denúncias que chegam até nós é muito pequeno. Vemos que muitas meninas exploradas contam com a conivência dos pais, que fazem vista grossa porque elas ajudam no sustento da casa. Os vizinhos também não demonstram disposição em denunciar, pois a compreensão que vigora é que "a menina é descaradinha", "tá transando e ganhando dinheiro".

AT | Como dar visibilidade aos casos então?
WO | Há a necessidade de ter os chamados educadores sociais, aqueles que vão ao encontro das meninas e tentam convencê-las a voltar para casa. No entanto, é comum que quando já estão sem um tostão no bolso e nenhuma perspectiva de outra vida que não seja a da exploração, as meninas acabem voltando para as ruas.

AT | O que pode ser feito para livrar essas meninas definitivamente da exploração?
WO | Qualquer trabalho para o enfrentamento da questão passa por políticas públicas para assegurar que essa adolescente volte para a escola, tenha uma qualificação para se inserir no mercado de trabalho e, durante algum tempo, tenha uma espécie de bolsa, suficiente para lhe garantir o mínimo exigido por uma jovem, senão ela volta para as ruas. Casos isolados podem produzir algum resultado, mas no geral sem essa política não há possibilidade de sucesso.

AT | Que outras mudanças precisam ser implementadas para enfrentar o problema?
WO | No interior, os exploradores geralmente são fazendeiros, grandes comerciantes, políticos, então, ao nosso ver, os senhores delegados ficam temerosos. É preciso vontade política para mudar esse quadro. Aqui em Salvador, estamos convencidos da necessidade de uma força policial voltada especificamente para este enfrentamento.


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